O Poder das Multidões

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O Poder das Multidões

Vinícius Thiengo27/11/2015
(699) (3)
Go-ahead
"Dar o seu melhor neste exato momento vai colocá-lo no melhor lugar possível no momento seguinte."
Oprah Winfrey
Código limpo
Capa do livro Refatorando Para Programas Limpos
TítuloRefatorando Para Programas Limpos
CategoriaEngenharia de Software
AutorVinícius Thiengo
Edição
Ano2017
Capítulos46
Páginas598
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Capa do livro O Poder das Multidões
Título
O Poder das Multidões
Categoria
Marketing Digital
Autor(es)
Jeff Howe
Editora
Campus
Ano
2009
Edição
Páginas
277

Opa, blz?

Terminei a leitura do livro “O Poder das Multidões” de Jeff Howe, editora Elsevier. O livro fala dos fenômenos em torno do crowdsourcing, que hoje não é lá um termo novo, muitos já sabemos do que se trata, já sabemos das forças das redes sociais, porém, mesmo o livro sendo de 2008, os exemplos reais postados no conteúdo ainda surpreendem.

Ouvi um bom feedback desse livro quando assistia a um vídeo um digital marketer, porém quando fui comprar foi difícil de encontrar além do receio de comprar um livro de 2008 que fala de crowdsourcing quando já estamos longe de 2008… O autor é editor da Wired e no livro ele tenta explicar a força do crowdsourcing e logo de inicio ele apresenta um case do programa de televisão “Quem Quer Ser Um Milionário” onde os participantes têm entre outras opções a opção de pedir ajuda a plateia ou ao especialista, e segundo o autor os especialistas têm em torno de 50-60% de acertos ante a aproximadamente 90% de acertos da plateia. Ele apresenta vários exemplos onde a multidão é mais eficaz que uma minoria dita especialistas.

Porém essa, guerra multidão e especialistas, tem lá as desvantagens para o lado do crowdsourcing. Um dos autores citados no livro defende a tese de que 90% do que vem da multidão, digo, produção, é considerado lixo, ou porque fere direitos autorais ou porque não há qualidade. Os 10% que restam são, segundo o autor, os talentos ocultos que não são revelados senão com a ajuda da multidão. Nessa parte notei um pouco de ceticismo quanto ao atributo “hard work”, pois o que ele disse foi que ou você tem talento e se encaixa nos 10% (ou fora da multidão, quando já está no campo dos especialistas) ou você é parte dos 90% de conteúdo lixo (provavelmente isso deve ter ajudado a esse livro não virar um best-seller).

Falei falei de crowdsourcing, mas nada de significado ainda, segundo o livro, nota da editora, é um meio de obtenção de mão de obra barata onde as pessoas utilizam seus tempos ociosos para fazer algo que as motivam a trabalhar sem ter a remuneração (dinheiro) como sendo o objetivo, hobbies. O crowdsourcing tem algumas ramificações que ai sim pode envolver também dinheiro, mas para ajudar a própria multidão não como sendo meta como em um bisiness convencional, esse é o crowdfunding que temos como exemplo o kiva.org onde se financia empreendimentos de pessoas em países pobres, até mesmo para comprar uma vaca e vender leite, a principio empreendimentos pequenos e que parecem trazer quase nenhum beneficio, digo, beneficio na comunidade em torno do beneficiado pelo dinheiro vindo do kiva.org, e não, na verdade os empreendimentos vão crescendo aos poucos, mas o impacto é muito positivo e esse é um dos motivos do porquê o kiva.org continua de pé.

O autor mostra que esse impacto positivo do microcrédito fornecido pelo kiva.org já tinha sido provado em 1976 por um professor de Bangladesh, Muhammad Yunus, onde foram emprestados 27 dólares a 42 aldeões em estado de pobreza dando a eles uma rota de fuga para sairem da situação ruim que se encontravam, depois de um tempo o professor Yunus fundou um banco somente para esse tipo de microcrédito a pessoas em extrema pobreza e com o passar do tempo constatou que 67% do dinheiro que entrava entre doações e bolsas do governo eram vindas de pessoas que tinham recebido esses microempréstimos. 58% dos 7.4 milhões de beneficiados escaparam do pobreza. O casal que fundou o Kiva.org tinha participado de uma palestra do professor Yunus, por isso a ideia do kiva.org.

A história do professor Yunus provavelmente é a melhor explicação que obtive do porquê dos programas sociais em que esses microcréditos são fornecidos a classe pobre de muitos países (até mesmo nos EUA e Canada eles têm esses programas, não somente no Brasil).

O autor apresenta também a força do crowdsourcing no mundo dos games, principalmente no desenvolvimento de mods, que são extensões (modificações) para personalização de um game qualquer, foi ai que descobri que o Counter-Strike era na verdade um mod que foi criado por um aluno da Simon Fraser University, em Vancouver, Canada. Ele utilizou o game Half-Life e então criou o mod que permitia o jogo entre policias e terroristas. O aluno logo foi fazer parte da folha salarial da Valve, a detentora dos direitos autorais sobre o Half-Life.

Esse aluno faz parte do grupo de talentos dentro da multidão, os 10%. O autor nessa parte apresenta um projeto chamado cybercamps onde jovens, em maioria entre 10 e 17 anos, vão para alguns campi de universidades americanas para programar, jogos na maior parte do tempo. E isso a pouco foi assunto de um post em que tratava sobre os profissionais de TI que tinham uma gradução e os que não. O post basicamente apresentava que os BootCamp estão cada vez mais diminuindo as matriculas em cursos de TI, pois os caras de TI já estão se profissionalizando ali e ganhando dinheiro antes mesmo da universidade, alguns que se destacam ganham uma grana alta. Acabei não encontrando o post, mas uma pesquisa no Google com o termo “bootcamp developers vs computer science developer” vai listar “n” posts similares.

O autor fala muito sobre a iStockPhoto, que foi criada por Bruce Livingstone com o intuito de permitir que seus amigos pudessem junto a ele compartilhar as fotos que necessitavam, com o crescimento para qualquer fotografo, incluindo amadores, o iStockPhoto virou um negócio milionário que foi adquirido pela Getty Images, porém o viés de crowdsourcing persistiu, o iStockPhoto realiza mudanças no sistema, incluindo alteração de preços das imagens, de acordo com o que é aprovado pela comunidade iStockPhoto (na época do livro eram mais de 50 mil), os fotógrafos têm suas comissões sobre as vendas das imagens e alguns vivem somente do dinheiro obtido no iStockPhoto, além de poderem comentar sobre o trabalho dos outros e receber também os feedbacks dos trabalhos realizados.

O autor fala sobre a InnoCentive, onde se reune centenas de milhares de pessoas com o intuito de resolver problemas que os P&Ds de empresas, se pouco, bilionárias não conseguiram. Sobre os campeonatos no site do MatLab, onde era solicitado a solução de um problema e então era apresentada as posições dos participantes de acordo com os algoritmos de soluções fornecidos onde era possível também obter os códigos dos primeiros colocados para melhora-los e então submete-los para mudar o placar, isso, segundo o autor, gerava uma guerra entre os participantes e o problema terminava com uma solução até 1000 vezes melhor do que a primeira proposta. Esse modelo de solução de problemas no site do MatLab foi adotado também pelo Netflix quando esse precisou de uma melhoria no script de sugestão de filmes e ofereceu 1 milhão de dólares para quem fornecesse um script com uma melhoria aceitável, somente uma exceção ao modelo adotado pela Netflix, eles não permitiram que os coders acessassem os códigos uns dos outros, o que poderia ter trago junto a uma melhoria substancial uma série de processos visto que a melhor solução provavelmente seria natural de alguma das primeiras soluções de algum outro autor, o que acontecia com os campeonatos da MatLab. A melhor solução obtida pela Netflix foi com melhora de um pouco mais de 8% na eficácia.

Próximo ao final do livro o autor dá dez dicas de como se sair bem quando parte do objetivo é acessar a multidão, e algumas são simples, como por exemplo dividir as tarefas ao máximo, ou seja, não dividir cada tarefa para cada pessoa somente, mas dividi-las nas partes mínimas possíveis, pois segundo o autor o crowdsourcing não têm muito tempo para se dedicar a tarefas longas, e provavelmente essas tarefas pequenas serão feitas nos tempos livres, que são curtos. Não tentar atingir a multidão com objetivos financeiros, ao menos que as recompensas sejam válidas para o crowdsourcing e eles sejam avisados sobre isso o quanto antes, ai entra máxima de que o camarada leva a vida para construir algo e apenas alguns minutos para destruir, pois segundo o autor, se a comunidade percebe que você está apenas a utilizando para colocar dinheiro em seu patrimônio, eles logo deixam de seguir o projeto e nunca mais voltam onde você estiver envolvido. O caso do site de camisetas Threadless é uma bom exemplo onde há o crowdsourcing, o interesse em saber a opinião dos artistas sobre as artes que vão a venda, porém junto a isso o interesse financeiro, pois as camisas são vendidas, sendo que parte do lucro da camisa vai para o artista do desenho estampado. A comunidade faz e vota nos desenhos, não há um design exclusivo na Threadless.

E ainda dentro das dez dicas / princípios para atingir o crowdsourcing está o que "a comunidade é sempre a parte certa" e que você deve "focar no que você pode dar a comunidade e não no que a comunidade pode dar a você". Esse último tem um belo insight de como atingir o publico corretamente (adotando um viés emocional), pois o que ele fala é que o crowdsourcing é mais bem-sucedido quando nós damos algo que ele quer, e que se voltarmos ao período escolar e analisarmos a pirâmide de Maslow o que o ser humano quer é atingir o topo da pirâmide, participar de algo que traga satisfação psicológica, social ou emocional.

Então é isso, o livro apesar de abordar um assunto que não é novidade, o assunto é abordado com exemplos interessantes, até mesmo a NASA está entre os exemplos. Mas vale ressaltar que o livro é um pouco antigo (2008) para um assunto que até mesmo o autor do livro não sabia informar exatamente para onde estava indo, o futuro do crowdsourcing. Logo vou de quatro estrelas. Se não tiver algo muito indicado para ler, a leitura desse livro seria uma boa opção.

Vlw.

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